1. As preliminares!

2. Com qual moto ir?

3. Como programar?

4. O que levar?

5. Dicas



  
 

 

 

1. PRELIMINARES!

Os preparativos para uma grande viagem é a fase mais ansiosa! Conversar com colegas que já fizeram viagens semelhantes, definir roteiros, pontos de visitação, locais das pernoites.... Questionar sobre o que levar, que tipo de proteção vestir, os maiores desafios que iremos encontrar, tal como chuva, comida, frio e ventos... Preparar os equipamentos, motos, roupas, fazer chek-list´s de acessórios, documentação... São coisas que levam algum tempo a se definir. Uma jornada de tal magnitude, não se decide e viabiliza em uma semana.

A começar com a documentação. Esta deve ser a primeira preocupação de quem anseia se aventurar fora do nosso país. Deve-se ter em mãos a identidade (RG apenas. Carteiras profissionais, e de motorista não são aceitas como identificadores), documento do veículo em nome próprio e sem alienações (caso esteja alienado, ou em nome de terceiros, deverá portar uma autorização expressa para transitar em território estrangeiro do proprietário ou alienante), PID (esta sim necessida da CNH nacional) e a Carta Verde. Passaporte não é exigido nos países do Mercosul, mas quem tiver é bom levar.

O mais fácil é a PID (Permissão Internacional de Dirigir). Tive algumas dificuldades em conseguir as nossas, pois houve uma determinação de que um novo modelo de carteira internacional seria adotada, e esta seria emidita exclusivamente pelos Detrans de cada Estado. Pois bem, o Detran-Pr nem sabe qual é a cor da PID, e até o momento a emissão desta continua sendo feita pelos Touring Club´s. O mais próximo de Maringá-Pr, é em Curitiba-Pr, situado na Alameda Dr. Carlos de Carvalho, nº 250 sobreloja 4 Centro, fone 41 3323-1101.

Também será necessária a chamada "Carta Verde", que nada mais é do que o Seguro Obrigatório (DPVAT) internacional. Para quem vai de carro, ou moto com seguro particular (contra furto/roubo/acidentes...), basta solicitar a própria seguradora. Normalmente não é caro. Para aqueles que não possuem seguro particular (por exemplo, a MAIORIA das motos ;) ), tem um escritório na barreira de Guaíra que expede a Carta Verde na hora. Em breve postarei o endereço e os telefones de contato. Os valores também são bem acessíveis, desde que você faça por apenas 30 dias.

Existem outras coisas que o pessoal fala, como levar extintor, colocar placa dianteira nas motos.... Enfim, tudo isso é baboseira. Se o policial rodoviário quiser "encher o saco", ele vai. Não importa quanta quinquilharia você leve, pois são vários países, com várias regras e legislações, eles sempre vão encontrar algo irregular. Você só levará peso extra, e será obrigado a abrir mão de muita coisa importante, por falta de espaço. Assim, a melhor tática é estar com os documentos em dia. O resto se resolve com o tradicional "jeitinho brasileiro".

Não se pode esquecer também da moto. Esta deve sair completamente revisada, com o óleo trocado, com filtroS, velas, pastilhas de freio e pneus NOVOS. Não é uma boa idéia ter que interromper a viagem porque qualquer um desses elementos apresentou defeito e/ou desgaste prematuro.

2. COM QUAL MOTO IR?

Por falar em moto, muito se discute sobre com qual tipo moto se usar para longas viagens. Esta decisão deverá ser tomada seguindo cada gosto, estilo e prioridades. Contudo, para auxiliar na escolha, segue algumas características mais comuns dos modelos disponíveis em nosso país.

CUSTOM: Moto estilosa. Maior vantagem em grandes viagens é a posição das pernas, que geralmente ficam bem esticadas. Porém quase todos os modelos são lerdos, com motores que geram grandes vibrações, o que com o tempo pilotando, faz com que as mãos, os pés e a bunda adormeça. A suspensão de modo geral também é muito imprecisa, transmitindo grande parte das imperfeições do solo aos ocupantes. Muito embora a cultura geral dos motociclistas julguem esta moto ser a mais adequada a grandes viagens, eu não. A posição é boa, mas o conjunto motor/suspensão não é dos melhores. Talvez com motos mais sofisticadas e modernas, esses problemas sejam amenizados.

BIKE/SUPERBIKE: São motos velozes, também chamadas de esportivas. Possuem motores extremamente macios (baixíssima vibração) e potentes, aliado a suspensões de alto desempenho, que corrigem muito bem as asperezas do asfalto, o que proporciona um rodar semelhante a de um carro. Contudo, possuem limitações, como o curto curso das suspensões, o que pode provocar algumas surpresas em rodovias mal conservadas ou não pavimentadas (não recomendo o uso em rodovias não pavimentadas). A posição, novamente contra a cultura popular, não é tttããããooo ruim assim. De fato os pilotos ficam como um "frango assado", mas com o tempo e a velocidade, o piloto aprende a se apoiar no vento. Isso mesmo, no vento, pois mantendo uma velocidade cruzeiro um pouco mais alta (algo entre 140/160), não há dores nas costas nem nos braços, pois o vento retira essa carga do piloto. O que judia é a posição das pernas. Para um piloto com mais de 1,80m, estas ficam extremamentes encolhidas, o que cansa bastante. É uma moto muito boa para viagens médias, de até uns 600/800km. O carona, após encontrar a posição ideal, também vai muito bem. "Dizem" que tem carona que até dorme! Porém, fora o banco do carona, e eventuais mochilas nas costas (insuportáveis), não há espaço para bagagens.

TRAIL: Motos altas e geralmente de baixa potência, ou potência mediana. Possuem boa posição de pilotagem e suspensões bem resistentes, capaz de enfrentar todos os tipos de caminhos. Devido ao seu baixo peso, e baixa potência, a capacidade de carga também é reduzida. O seu motor mono-cilíndrico traz excelentes respostas em baixos giros, mas vibra bastante em regimes mais altos. É uma boa opção para grandes viagens, por possuir um custo/benefício bom - te leva pra qualquer lugar, com conforto, a um baixo custo. Importante definir qual a situação padrão a ser enfrentada, e utilizar-se dos pneus corretos. Pneus lameiros no asfalto geram muito ruído e pouca aderência.

BIG-TRAIL / USO MISTO: Com características semelhantes as Trail, possuem em sua maioria um motor bastante potente, bicilindrico (pode ser em linha, em "V", ou boxer). As suspensões vem com cursos maiores do que as Trail, assim como todo o resto, como banco, pneus, comprimento, proteção aerodinânimca, freios, etc. Geralmente possuem kit´s de fixação de bauletos de grande capacidade - perfeitos para viagens longas, pois são facilmente removíveis, atuando como malas nos hoteis, e principalmente impermeáveis. Enfim, este estilo de moto reúne todas as qualidades necessárias: potência, conforto, robustês e capacidade de carga, e por estes motivos foi o eleito por nossa equipe.

TOURING: Com base nas motos esportivas, as Touring possuem basicamente o mesmo conjunto de motor, estrutura e suspensão. O que as diferem das bikes é posição de pilotagem, mais ereta, uma proteção aerodinâmica maior, bancos inteiriços (maior conforto para o carona) e possibilidades de agregar bauletos. Tecnicamente, esta é a categoria que nasceu para o turismo. A única restrição porém, fica quanto a qualidade do asfalto, vez que motos Touring não possuem suspensões muito altas e/ou com longos cursos.

SCOOTER: Este é um nicho de mercado muito tímido em nosso país. Sua força expressiva localiza-se nos países Europeus. Dotadas de propulsores de média cilindrada, possuem um desempenho razoável. Aliada ao câmbio automático variável, proporcionam um conforto inigualável. Nunca andei em uma grande scooter, mas pelas especificações, deve ser excelente para viagens médias, desde que a qualidade do asfalto seja muito boa.

3. COMO PROGRAMAR?

A programação é a peça chave de uma viagem. É muito importante que o grupo esteja consciente e em comum acordo de todo o cronograma e trajeto. Pesquise na internet quem já fez viagens semelhantes, e repare nas dificuldades encontradas. Esteja sempre com um bom mapa atualizado na mão ao traçar as rotas. Pesquise hoteis, albergues, pontos de camping, etc. Procure conversar pessoalmente com quem já fez alguma viagem parecida, questione sobre as condições gerais.

Enfim, procure agrupar o maior número de informações possíveis. Isto certamente irá ajudá-lo a definir com qual moto ir, qual equipamento levar, que roupas vestir, e principalmente o quanto vai gastar.

4. O QUE LEVAR?

Esta não é uma decisão fácil. A escolha é muito pessoal, e deve atender as prioridades individuais.

Como primeira opção, pode-se usar calças jeans, bota e jaqueta de couro e levar camisetas, meias e cuecas a vontade (ou o que couber). Para os dias mais frios, aqueles pijamas de algodão, ou também chamados de siroulas, servem. Como proteção contra chuvas, usa-se as capas plásticas - as mesmas utilizadas por entregadores de pizza. Em situações mais extremas, nada impede de combinar ambas, usando a siroula e a capa plastica para enfrentar o frio intenso. Essa é a configuração mais simples, de baixo custo, e com boa eficiência. O ponto negativo são as constantes paradas para vestir a capa de chuva, pois este procedimento rouba minutos importantes (lembre-se de não esperar chover para vestir a capa, ok? Não é uma boa ficar com a calça jeans molhada!).

A segunda opção, mais cara, são os equipamentos (jaquetas, calças, botas e luvas) em cordura e goretex. Estas por sua vez são muito resistentes, possuem excelente proteção contra o vento e o frio (na maioria dos modelos possuem uma forração térmica de alta eficiência), e principalmente, são impermeáveis. Botas impermeáveis também é uma boa opção, mesmo sendo mais quentes que os modelos tradicionais. Com as luvas já não acontece o mesmo, vez que as impermeáveis aquecem muito nos dias quentes, e em chuva intensa acabam deixando a agua passar. A solução mais adequada é o uso de luvas plasticas (pode ser as cirurgicas ou aquelas de lavar louça) sob as luvas convencionais (discutível).

Na bagagem deve-se levar o mínimo possível. Quando do planejamento da viagem, deve-se ater aos locais visitados e se há necessidade de alguma vestimenta especial, tal como roupas de banho ou algo mais social. O resto do espaço, pode-se preencher com camisetas, cuecas (ou calcinhas, quando mulher, ou não!) e meias. Não se importe em levar estes itens em quantidade suficiente para todos os dias da viagem, pois certamente não caberá, e voce fatalmente terá que lavar algumas peças nos hoteis.

Alguns colegas motociclistas costumam levar somente camisetas velhas, daquelas que não servem nem para pano de chão, e conforme vão avançando na viagem, compram as camisetas com motivos locais, e jogam fora as usadas.

Outros itens também podem proporcionar maior conforto, como balaclavas de neoprene, meias grossas, protetores auriculares, dentre outros. Deve-se pensar muito bem nas coisas de banheiro, pois ocupam pouco espaço. Lembre-se que um simples cotonete 15 dias após a partida, pode valer ouro!

Não menos importante são os cuidados com a saúde. Sal de frutas, analgésicos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares e anti-térmicos são fundamentais.

Por fim, procure reservar algum lugar para alguns itens de emergência para a moto, tais como cilindro de ar comprimido, remendo rápido de pneu, algumas cintas plásticas, uma pequena lanterna, e além do jogo de chaves original da moto, leve outras que julgar necessário, inclusive aquelas utilizadas para retirar as rodas dianteiras e trazeiras.
 

5. DICAS:

- Uma dica é levar o(s) filtro(s) de óleo na mala. Estes ocupam pouco espaço, e nos locais visitados pode ser difícel de serem encontrados.

- Fora do nosso país não é comum encontrar postos de abastecimento com calibadores de pneus. Logo, sempre que ver um, aproveite!

- Procure utilizar-se de motos dotadas de injeção eletrônica, pois esta auxilia bastante na regulagem ar/combustível quando em grandes altitudes. Contudo, motos carburadas não encontrarão óbice nas cordilheiras. É lenda as histórias de que moto sem injeção não cruza as cordilheiras. É bem provável que estas engasguem, falhem, por estarem com uma mistura muito rica (excesso de gasolina), mas com jeitinho vai embora. Ademais, a distância a ser percorrida nestas condições é muito pequena, se comparado ao percurso total a ser percorrido.

- Leve o mínimo de dinheiro em espécie. Prefira os cartões de crédito. Se você tiver conta no Banco do Brasil, você poderá sacar dinheiro em moeda local, com o câmbio oficial. Esta atitude poderá amenizar os prejuízos em caso de abordagens ou visitas inesperadas...

- No Extrangeiro, sempre respeite os limites de velocidade. Ser pego em uma fiscalização com radar pode acabar com a viagem. Na Argentina, por exemplo, se for flagrado acima do limite, você não poderá sair do país sem que a sua multa tenha sido julgada perante o órgão competente, e quitada. Todo este processo não leva menos que duas semanas.

DICAS DE ROLAMENTO:

- Em uma viagem, sempre há um cronograma e um roteiro a ser seguido. Qualquer alteração deve ser previamente comunicada a todos do grupo, para evitar supresas e constrangimentos. As alterações deverão ser aprovadas em comum acordo. Também não pare sozinho no acostamento, para tirar fotos, fazer xixi, ou por qualquer outro motivo. Se precisar parar, avise o resto do grupo antes.

- Observar sempre uma distância segura entre as motos, que permita a cada um realizar manobras evasivas com tranquilidade. Também é importe evitar andar em fila indiana ou lado a lado. O ideal é andar de forma alternada, pois só assim todos terão visão da estrada a frente, e espaço para desviar de eventual obstáculo.

- A comunicação quando se está em movimento normalmente é instintiva, mas não custa combinar alguns gestos com o grupo, tais como abastecer, banheiro, fome e cansaço.

- As paradas não deverão ter tempo inferior a 15/20 minutos. É o tempo necessário para que o corpo recupere suas energias, e a mente fique arejada.

- Quem vai na frente não é o piloto mais rápido, mas sim o mais experiente. Quem determinará o ritmo também não é o primeiro, mas o ULTIMO da fila. Desta forma, quem vai à frente cuida de quem vem atrás. Se este se distanciar ou desaparecer, o grupo deve esperá-lo.

- Em viagens de vários dias, é evidente que as diferenças entre os integrantes do grupo serão afloradas. É muito importante que se reconheça que cada um tem a sua personalidade e principalmente que os integrantes tenham respeito entre si.

- É muito comum que o carona durma na moto. Pode parecer absurdo, mas é incrível a quantidade de acidentes causados por caronas sonolentos que se desiquilibram e caem, quando não leva o piloto junto! O piloto deve estar sempre atento as respostas do carona. Se perceber que este está meio "mole", cutuque-o, e faça-o com que acorde. Se necessário, pare a moto para dar uma caminhada.

Por: Rogério Errerias

 

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