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1. PRELIMINARES!
Os preparativos para uma
grande viagem é a fase mais
ansiosa! Conversar com
colegas que já fizeram
viagens semelhantes, definir
roteiros, pontos de
visitação, locais das
pernoites.... Questionar
sobre o que levar, que tipo
de proteção vestir, os
maiores desafios que iremos
encontrar, tal como chuva,
comida, frio e ventos...
Preparar os equipamentos,
motos, roupas, fazer
chek-list´s de acessórios,
documentação... São coisas
que levam algum tempo a se
definir. Uma jornada de tal
magnitude, não se decide e
viabiliza em uma semana.
A começar com a documentação. Esta deve ser a primeira preocupação de
quem anseia se aventurar fora do nosso país. Deve-se ter em mãos a
identidade (RG apenas. Carteiras profissionais, e de motorista não são
aceitas como identificadores), documento do veículo em nome próprio e sem alienações (caso
esteja alienado, ou em nome de terceiros, deverá portar uma autorização
expressa para transitar em território estrangeiro do proprietário ou
alienante), PID (esta sim necessida da CNH nacional) e a Carta Verde. Passaporte não é exigido nos países do
Mercosul, mas quem tiver é bom levar.
O mais fácil é a PID (Permissão Internacional de Dirigir). Tive
algumas dificuldades em conseguir as nossas, pois houve uma determinação
de que um novo modelo de carteira internacional seria adotada, e esta
seria emidita exclusivamente pelos Detrans de cada Estado. Pois bem, o
Detran-Pr nem sabe qual é a cor da PID, e até o momento a emissão desta
continua sendo feita pelos Touring Club´s. O mais próximo de Maringá-Pr,
é em Curitiba-Pr, situado na Alameda Dr. Carlos de Carvalho, nº 250
sobreloja 4 Centro, fone 41 3323-1101.
Também será necessária a chamada "Carta Verde", que nada mais é do
que o Seguro Obrigatório (DPVAT) internacional. Para quem vai de carro,
ou moto com seguro particular (contra furto/roubo/acidentes...), basta
solicitar a própria seguradora. Normalmente não é caro. Para aqueles que
não possuem seguro particular (por exemplo, a MAIORIA das motos ;) ),
tem um escritório na barreira de Guaíra que expede a Carta Verde na
hora. Em breve postarei o endereço e os telefones de contato. Os valores
também são bem acessíveis, desde que você faça por apenas 30 dias.
Existem outras coisas que o pessoal fala, como levar extintor,
colocar placa dianteira nas motos.... Enfim, tudo isso é baboseira. Se o
policial rodoviário quiser "encher o saco", ele vai. Não importa quanta
quinquilharia você leve, pois são vários países, com várias regras e
legislações, eles sempre vão encontrar algo irregular. Você só levará
peso extra, e será obrigado a abrir mão de muita coisa importante, por
falta de espaço. Assim, a melhor tática é estar com os documentos em
dia. O resto se resolve com o tradicional "jeitinho brasileiro".
Não se pode esquecer também da moto. Esta deve sair completamente
revisada, com o óleo trocado, com filtroS, velas, pastilhas de freio e
pneus NOVOS. Não é uma boa idéia ter que interromper a viagem porque
qualquer um desses elementos apresentou defeito e/ou desgaste prematuro.
2. COM QUAL MOTO IR?
Por falar em moto, muito se discute sobre com qual tipo moto se usar
para longas viagens. Esta decisão deverá ser tomada
seguindo cada gosto, estilo e prioridades. Contudo, para auxiliar na
escolha, segue algumas características mais comuns dos modelos
disponíveis em nosso país.
CUSTOM: Moto estilosa. Maior vantagem em grandes viagens é a posição
das pernas, que geralmente ficam bem esticadas. Porém quase todos os
modelos são lerdos, com motores que geram grandes vibrações, o que com o
tempo pilotando, faz com que as mãos, os pés e a bunda adormeça. A
suspensão de modo geral também é muito imprecisa, transmitindo grande
parte das imperfeições do solo aos ocupantes. Muito embora a cultura
geral dos motociclistas julguem esta moto ser a mais adequada a grandes
viagens, eu não. A posição é boa, mas o conjunto motor/suspensão não é
dos melhores. Talvez com motos mais sofisticadas e modernas, esses
problemas sejam amenizados.
BIKE/SUPERBIKE: São motos velozes, também chamadas de esportivas.
Possuem motores extremamente macios (baixíssima vibração) e potentes,
aliado a suspensões de alto desempenho, que corrigem muito bem as
asperezas do asfalto, o que proporciona um rodar semelhante a de um
carro. Contudo, possuem limitações, como o curto curso das suspensões, o
que pode provocar algumas surpresas em rodovias mal conservadas ou não
pavimentadas (não recomendo o uso em rodovias não pavimentadas). A
posição, novamente contra a cultura popular, não é tttããããooo ruim
assim. De fato os pilotos ficam como um "frango assado", mas com o tempo
e a velocidade, o piloto aprende a se apoiar no vento. Isso mesmo, no
vento, pois mantendo uma velocidade cruzeiro um pouco mais alta (algo
entre 140/160), não há dores nas costas nem nos braços, pois o vento
retira essa carga do piloto. O que judia é a posição das pernas. Para um
piloto com mais de 1,80m, estas ficam extremamentes encolhidas, o que
cansa bastante. É uma moto muito boa para viagens médias, de até uns
600/800km. O carona, após encontrar a posição ideal, também vai muito
bem. "Dizem" que tem carona que até dorme! Porém, fora o banco do
carona, e eventuais mochilas nas costas (insuportáveis), não há espaço
para bagagens.
TRAIL: Motos altas e geralmente de baixa potência, ou potência
mediana. Possuem boa posição de pilotagem e suspensões bem resistentes,
capaz de enfrentar todos os tipos de caminhos. Devido ao seu baixo peso,
e baixa potência, a capacidade de carga também é reduzida. O seu motor
mono-cilíndrico traz excelentes respostas em baixos giros, mas vibra
bastante em regimes mais altos. É uma boa opção para grandes viagens,
por possuir um custo/benefício bom - te leva pra qualquer lugar, com
conforto, a um baixo custo. Importante definir qual a situação padrão a
ser enfrentada, e utilizar-se dos pneus corretos. Pneus lameiros no asfalto
geram muito ruído e pouca aderência.
BIG-TRAIL / USO MISTO: Com características semelhantes as Trail,
possuem em sua maioria um motor bastante potente, bicilindrico (pode ser
em linha, em "V", ou boxer). As suspensões vem com cursos maiores do que
as Trail, assim como todo o resto, como banco, pneus, comprimento,
proteção aerodinânimca, freios, etc. Geralmente possuem kit´s de fixação
de bauletos de grande capacidade - perfeitos para viagens longas, pois
são facilmente removíveis, atuando como malas nos hoteis, e
principalmente impermeáveis. Enfim, este estilo de moto reúne todas as
qualidades necessárias: potência, conforto, robustês e capacidade de
carga, e por estes motivos foi o eleito por nossa equipe.
TOURING: Com base nas motos esportivas, as Touring possuem
basicamente o mesmo conjunto de motor, estrutura e suspensão. O que as
diferem das bikes é posição de pilotagem, mais ereta, uma proteção
aerodinâmica maior, bancos inteiriços (maior conforto para o carona) e
possibilidades de agregar bauletos. Tecnicamente, esta é a categoria que
nasceu para o turismo. A única restrição porém, fica quanto a qualidade
do asfalto, vez que motos Touring não possuem suspensões muito altas
e/ou com longos cursos.
SCOOTER: Este é um nicho de mercado muito tímido em nosso país. Sua
força expressiva localiza-se nos países Europeus. Dotadas de propulsores
de média cilindrada, possuem um desempenho razoável. Aliada ao câmbio
automático variável, proporcionam um conforto inigualável. Nunca andei
em uma grande scooter, mas pelas especificações, deve ser excelente para
viagens médias, desde que a qualidade do asfalto seja muito boa.
3. COMO PROGRAMAR?
A programação é a peça
chave de uma viagem. É muito
importante que o grupo
esteja consciente e em comum
acordo de todo o cronograma
e trajeto. Pesquise na
internet quem já fez viagens
semelhantes, e repare nas
dificuldades encontradas.
Esteja sempre com um bom
mapa atualizado na mão ao
traçar as rotas. Pesquise
hoteis, albergues, pontos de
camping, etc. Procure
conversar pessoalmente com
quem já fez alguma viagem
parecida, questione sobre as
condições gerais.
Enfim, procure agrupar o
maior número de informações
possíveis. Isto certamente
irá ajudá-lo a definir com
qual moto ir, qual
equipamento levar, que
roupas vestir, e
principalmente o quanto vai
gastar.
4.
O QUE LEVAR?
Esta não é uma decisão
fácil. A escolha é muito
pessoal, e deve atender as
prioridades individuais.
Como primeira opção, pode-se
usar calças jeans, bota e
jaqueta de couro e levar
camisetas, meias e cuecas a
vontade (ou o que couber).
Para os dias mais frios,
aqueles pijamas de algodão,
ou também chamados de
siroulas, servem. Como
proteção contra chuvas,
usa-se as capas plásticas -
as mesmas utilizadas por
entregadores de pizza. Em
situações mais extremas,
nada impede de combinar
ambas, usando a siroula e a
capa plastica para enfrentar
o frio intenso. Essa é a
configuração mais simples,
de baixo custo, e com boa
eficiência. O ponto negativo
são as constantes paradas
para vestir a capa de chuva,
pois este procedimento rouba
minutos importantes
(lembre-se de não esperar
chover para vestir a capa,
ok? Não é uma boa ficar com
a calça jeans molhada!).
A segunda opção, mais cara,
são os equipamentos
(jaquetas, calças, botas e
luvas) em cordura e goretex.
Estas por sua vez são muito
resistentes, possuem
excelente proteção contra o
vento e o frio (na maioria
dos modelos possuem uma
forração térmica de alta
eficiência), e
principalmente, são
impermeáveis. Botas
impermeáveis também é uma
boa opção, mesmo sendo mais
quentes que os modelos
tradicionais. Com as luvas
já não acontece o mesmo, vez
que as impermeáveis aquecem
muito nos dias quentes, e em
chuva intensa acabam
deixando a agua passar. A solução mais
adequada é o uso de luvas
plasticas (pode ser as
cirurgicas ou aquelas de
lavar louça) sob as luvas
convencionais (discutível).
Na bagagem deve-se levar o
mínimo possível. Quando do planejamento da
viagem, deve-se ater aos
locais visitados e se há
necessidade de alguma
vestimenta especial, tal
como roupas de banho ou algo
mais social. O resto do
espaço, pode-se preencher
com camisetas, cuecas (ou
calcinhas, quando mulher, ou
não!) e meias. Não se
importe em levar estes itens
em quantidade suficiente
para todos os dias da
viagem, pois certamente não
caberá, e voce fatalmente
terá que lavar algumas peças
nos hoteis.
Alguns colegas motociclistas
costumam levar somente
camisetas velhas, daquelas
que não servem nem para pano
de chão, e conforme vão
avançando na viagem, compram
as camisetas com motivos
locais, e jogam fora as
usadas.
Outros itens também podem
proporcionar maior conforto,
como balaclavas de
neoprene, meias grossas,
protetores auriculares, dentre outros.
Deve-se pensar muito bem nas
coisas de banheiro, pois
ocupam pouco espaço.
Lembre-se que um simples
cotonete 15 dias após a
partida, pode valer ouro!
Não menos importante são os
cuidados com a saúde. Sal de
frutas, analgésicos,
anti-inflamatórios,
relaxantes musculares e
anti-térmicos são
fundamentais.
Por fim, procure reservar
algum lugar para alguns
itens de emergência para a
moto, tais como cilindro de
ar comprimido, remendo
rápido de pneu, algumas
cintas plásticas, uma
pequena lanterna, e além do
jogo de chaves original da
moto, leve outras que julgar
necessário, inclusive
aquelas utilizadas para
retirar as rodas dianteiras
e trazeiras.
5.
DICAS:
- Uma dica é levar o(s) filtro(s) de óleo na mala. Estes ocupam pouco
espaço, e nos locais visitados pode ser difícel de serem encontrados.
- Fora do nosso país não é comum encontrar postos de abastecimento
com calibadores de pneus. Logo, sempre que ver um, aproveite!
- Procure utilizar-se de
motos dotadas de injeção
eletrônica, pois esta
auxilia bastante na
regulagem ar/combustível
quando em grandes altitudes.
Contudo, motos carburadas
não encontrarão óbice nas
cordilheiras. É lenda as
histórias de que moto sem
injeção não cruza as
cordilheiras. É bem provável
que estas engasguem, falhem,
por estarem com uma mistura
muito rica (excesso de
gasolina), mas com jeitinho
vai embora. Ademais, a
distância a ser percorrida
nestas condições é muito
pequena, se comparado ao
percurso total a ser
percorrido.
- Leve o mínimo de
dinheiro em espécie. Prefira
os cartões de crédito. Se
você tiver conta no Banco do
Brasil, você poderá sacar
dinheiro em moeda local, com
o câmbio oficial. Esta
atitude poderá amenizar os
prejuízos em caso de
abordagens ou visitas
inesperadas...
- No Extrangeiro,
sempre respeite os limites
de velocidade. Ser pego
em uma fiscalização com
radar pode acabar com a
viagem. Na Argentina, por
exemplo, se for flagrado
acima do limite, você não
poderá sair do país sem que
a sua multa tenha sido
julgada perante o órgão
competente, e quitada. Todo
este processo não leva menos
que duas semanas.
DICAS DE ROLAMENTO: - Em uma viagem, sempre há um cronograma e um
roteiro a ser seguido.
Qualquer alteração deve ser
previamente comunicada a
todos do grupo, para evitar
supresas e constrangimentos.
As alterações
deverão ser aprovadas em
comum acordo. Também não
pare sozinho no acostamento,
para tirar fotos, fazer
xixi, ou por qualquer outro
motivo. Se precisar parar,
avise o resto do grupo
antes. - Observar
sempre uma distância segura
entre as motos, que permita
a cada um realizar manobras
evasivas com tranquilidade.
Também é importe evitar
andar em fila indiana ou
lado a lado. O ideal é andar
de forma alternada, pois só
assim todos terão visão da
estrada a frente, e espaço
para desviar de eventual
obstáculo. - A comunicação
quando se está em movimento
normalmente é instintiva,
mas não custa combinar
alguns gestos com o grupo,
tais como abastecer,
banheiro, fome e cansaço.
- As paradas não deverão
ter tempo inferior a 15/20
minutos. É o tempo
necessário para que o corpo
recupere suas energias, e a
mente fique arejada. -
Quem vai na frente não é o
piloto mais rápido, mas sim
o mais experiente. Quem
determinará o ritmo também
não é o primeiro, mas o
ULTIMO da fila. Desta forma,
quem vai à frente cuida de
quem vem atrás. Se este se
distanciar ou desaparecer, o
grupo deve esperá-lo. - Em
viagens de vários dias, é
evidente que as diferenças
entre os integrantes do
grupo serão afloradas. É
muito importante que se
reconheça que cada um tem a
sua personalidade e
principalmente que os
integrantes tenham respeito
entre si. - É muito comum
que o carona durma na moto.
Pode parecer absurdo, mas é
incrível a quantidade de
acidentes causados por
caronas sonolentos que se
desiquilibram e caem, quando
não leva o piloto junto! O
piloto deve estar sempre
atento as respostas do
carona. Se perceber que este
está meio "mole", cutuque-o,
e faça-o com que acorde. Se
necessário, pare a moto para
dar uma caminhada. |